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sábado, 5 de novembro de 2016

Doutor Estranho consegue inovar mesmo dentro da fórmula consagrada da Marvel

 
 Doutor Estranho foi criado em 1963 por Stan Lee e Steve Ditko (Divulgação)
Doutor Estranho é o décimo quarto filme da Marvel baseado em HQs e conta a trajetória do neurocirurgião Stephen Strange (Benedict Cumberbatch), um homem arrogante e que  tem um péssimo relacionamento com os colegas de trabalho, exceto com sua colega e ex-namorada Christine Palmer (Rachel McAdams). Strange, após um grave acidente, sofre danos em suas mãos e parte para o Nepal em busca de uma cura espiritual.  Em Kamar-Taj, o médico acaba encontrando Mordo (Chiwetel Ejiofor) e a Anciã (Tilda Swinton), que lhe mostram que o mundo é muito mais do que ele é capaz de imaginar. O local não é um espaço de meditações e de mantras, mas de treinamento de mestres que protegem o mundo de ameaças místicas.


Doutor Estranho é com certeza um dos melhores filmes da Marvel. Em um ano cheio de filmes de super-heróis, ele se destaca e trás um novo respiro. A produção é diferente das outras da franquia, principalmente pelo universo mágico e pelo protagonista. O roteiro se preocupa em contar uma história de origem, assim como os primeiros Homem de Ferro e Capitão América, mas busca estabelecer um universo para o herói completamente diferente dos outros personagens da Marvel. A investida no protagonista é considerada ousada para o estúdio, pois Doutor Estranho é desconhecido da maioria do público, mas, mesmo assim, mesclando humor e ação, o filme acerta. Benedict Cumberbatch  está excelente no papel, a identificação com o personagem é imediata. É impossível imaginar Strange interpretado por outro ator, é quase o mesmo sentimento que Robert Downey Jr. transmite com o Homem de Ferro. Os outros atores estão bons na produção, principalmente Tilda Swinton, tão criticada pelos fãs dos quadrinhos, que imprimi o poder da personagem em sua atuação.


Um dos grandes problemas da Marvel é a construção de vilões. Muitas vezes sem uma motivação convincente e que faça sentido, o vilão acaba se tornando esquecível, e infelizmente Doutor Estranho repete o erro. Não há profundidade na construção de Kaecilius (Mads Mikkelsen) que motivado por uma tragédia familiar, pouco explorada no filme, vai treinar com Anciã, mas acaba se unindo a Dormammu, um ser místico que vive na Dimensão Negra, em busca da imortalidade. O antagonista serve mais para lembrar a Strange o que ele pode se tornar caso continue egoísta e arrogante, ou seja, é um espelho de uma das facetas do herói. Esse fator contribui para que o filme seja mais dramático e adulto já que trabalha com os dilemas internos do médico.


Doutor Estranho é engraçado na medida certa, as piadas têm um bom timing, principalmente quando Stephen interage com Wong (Benedict Wong), com a doutora Palmer e com a sua capa. O filme é divertido do começo ao fim, te prende e ainda te faz querer ver mais. Os efeitos especiais são excelentes, bem superiores ao de Guerra Civil, eles parecem ser muito mais realistas, como, por exemplo, no acidente de carro logo no começo do filme. Quando o CGI envolve construções e o meio urbano há uma clara inspiração em A Origem de Christopher Nolan, mas as lutas e a magia tornam o ambiente ainda mais emocionante. O longa consegue fazer você sentir vertigem com tantas voltas no cenário. Doutor Estranho brinca com cores e sensações, a cena em que Strange têm seu primeiro contato com o mundo mágico te leva a uma viagem psicodélica de encher os olhos. É impossível não se impressionar e mergulhar no mundo apresentado. Com certeza vale a ida ao cinema e até pagar um pouquinho a mais pelo 3D.
 
Gênero: Ação, Fantasia
Direção: Scott Derrickson
Elenco: Benedict Cumberbatch, Tilda Swinton, Chiwetel Ejiofor, Rachel McAdams, Mads Mikkelsen, Benedict Wong.
Data de lançamento: 02 de novembro de 2016
Duração: 1h55min
Nota: 
 

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