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sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

3% é a estreia brasileira na Netflix, mas nada muito além disso

A série 3% é a primeira produção brasileira na plataforma de streaming da Netflix. O conceito da série foi apresentado ao público em 2011 através de um piloto publicado no YouTube. A produção atraiu o interesse da empresa norte-americana e estreou no dia 25 de novembro deste ano na plataforma.

Primeira série brasileira na Netflix é marcada por erros, mas instiga e prende o espectador (Divulgação)
3% se passa em um futuro pós-apocalíptico, no qual o Brasil é dividido em dois territórios: O Mar Alto, onde as condições de vida são boas, e o Continente, região miserável e escassa de recursos. Todo cidadão ao completar 20 anos tem a chance de ir para o Mar Alto, mas para isso é necessário passar pelo Processo, que avalia os candidatos através de provas físicas, psicológicas e morais. Apenas 3% dos inscritos conseguem chegar lá.

Na série, acompanhamos principalmente cinco participantes, Michele (Bianca Comparato), Fernando (Michel Gomes), Joana (Vaneza Oliveira), Rafael (Rodolfo Valente) e Marco (Rafael Lozano). A premissa de 3% é interessante, mas se assemelha a outras distopias como Jogos Vorazes, Divergente e Elysium e justo por isso acaba caindo em clichês e em grande parte do tempo você se lembra de algo que já foi melhor executado antes. Mesmo assim a série se mostra uma grande evolução para as produções brasileira, presas a formatos antigos. Há claramente elementos corajosos realizados que não são comuns na televisão aberta nacional. O figurino dos habitantes do Mar Alto é interessante, a trilha sonora é bem brasileira e a fotografia também está boa. 

Entretanto há dois grandes problemas: atuação e roteiro. O ator que consegue maior destaque é João Miguel que interpreta Ezequiel, coordenador do Processo, os outros não apresentam tanto peso em suas atuações. Os cinco protagonistas muitas vezes não conseguem entregar a carga dramática necessária em algumas cenas. Michele e Fernando não transmitem empatia, é difícil torcer pelos os dois, Joana rouba a atenção facilmente e desperta maior interesse do público. As atuações secundárias irritam ainda mais, oscilando entre o exagero e a completa falta de dramaticidade, em alguns momentos parece que estamos assistindo atores iniciantes da televisão aberta.

O roteiro tem muitos furos e parece zombar da inteligência de seus espectadores. A tecnologia avançada só é utilizada quando convém e esquecida em boa parte da trama. Personagens são vigiados grande parte do tempo, mas quando precisam fazer ou falar algo contra o sistema, eles o conseguem facilmente e nada acontece. Personagens parecem mudar de personalidade e visão de mundo de uma hora para outra sem demais explicações ou desenvolvimento. O mundo de 3% também é muito mal apresentado, não sabemos porquê o Mar Alto é tão bom para as pessoas e também não exploram a dinâmica social de nenhum dos lados. É tudo muito superficial. As aprovações nos testes não seguem nenhum critério, os avaliadores passam quem eles querem, na hora que querem por qualquer motivo.

Enfim, a série não é um completo desastre, os episódios prendem a atenção e os 45 minutos passam rapidamente. O interesse na série se mantém constante já que você quer saber quem fará parte dos três por cento e quer descobrir mais sobre aquele universo. A segunda temporada ainda não foi anunciada, mas se a série conseguir solucionar seus problemas pode trazer uma grande segunda temporada nos padrões de qualidade tão reconhecidos da Netflix. Potencial existe. 

Gênero: Drama, Ficção Científica, Suspense
Criadores: Cesar Charlote, Pedro Aguilero
Elenco: Bianca Comparato, João Miguel, Michel Gomes, Rodolfo Valente, Vaneza Oliveira, Viviane Porto, Mel Fronckowiack, Rafael Lozano
Data de lançamento: 25 de novembro de 2016
Canal: Netflix
Duração: 45 min
Nota:  
 

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